Como eu deixei que acontecesse aquilo ontem?
Como eu permiti que chegasse a tal ponto?
Como eu fiz isso?
Como eu desenterrei, desabrochei de novo?
Eu não lembrava de sua existência
Não lembrava que permanecia em mim,
que é parte de mim.
Como?
Não há como negar,
e dessa vez é pra valer.
não há como fugir mais,
e dessa vez é pra valer.
Não há como mentir,
omitir,
esconder,
e dessa vez é pra valer.
Eu quis ajudar,
eu tentei ajudar,
eu precisei ajudar,
Mas com seu mundo de adulto eu não pude.
E fiquei só
só observando,
só pensando,
só vendo com os olhos,
sentindo com os ouvidos.
Não quis ser adulta,
e me forcei a ser adulta.
Fingi, fugi, fui, fiquei...
eu era uma criança,
eu era uma criança que aprendia a viver.
e não queria viver.
Desejei não viver.
Desejei mil vezes não viver.
Desejei mil e uma vezes não querer vver.
Ah, como desejei fechar a porta do mundo de adulto enquanto espiava pela fechadura.
Menti pra minha criança que tive uma infância feliz.
Minha pro meu adulto que me criei feliz.
Como pode ter plena felicidade com vazio?
eu não acredito que há felicidade no vazio.
Mas precisei dele.
Precisei por não querer precisar de ninguém,
já quando eu mais precisei ninguém me via.
ninguém escutava meu silêncio.
ninguém ouvia meus olhos.
Principalmente você,
não a culpo.
você também não se notava.
Eu a culpo.
você deveria ter notado.
Você deveria não ter fingido, como eu fingi que estava tudo bem comigo.
Eu era crinça que foi forçada a fingir como adultos.
e você, a adulta que fingia ser adulta.
Eu sofri.
Você sofreu, ele sofreu... muitos sofreram.
E você culpa o mundo. menos você.
alheia do mundo.
dói, doeu, e doerá
principalmente agora que a ferida foi reaberta,
que os mortos foram desenterrados,
que a porta foi escancarada,
que a não pagaram a conta de luz.
Meu maior segredo.
Meu maior medo.
e eu te amo.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
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